Resumo de A Fiandeira, de Raquel Naveira | Vestibular UFMS 2025

Identificação

Autoria: Raquel Naveira
Título: A Fiandeira
Primeira publicação: 1992
Gênero: obra híbrida, que mistura prosa, poesia e reflexão ensaística

Resumo

A Fiandeira é uma obra em que Raquel Naveira tece memória, cultura, espiritualidade, condição feminina, mitologia, história e identidade. A própria ideia de fiar e tecer funciona como imagem para o trabalho com a palavra e para a construção da memória.

Ao longo do livro, prosa e poesia se misturam. A autora comenta experiências, imagens, nomes, referências culturais e religiosas e transforma esse material em reflexão literária. Há forte presença de Mato Grosso do Sul e de elementos ligados à cultura regional, mas a obra também se abre para temas mais amplos, como pertencimento, fé, criação artística e identidade.

Na obra, aparecem questões que dialogam com a memória coletiva, com as tradições e com as formas pelas quais construímos nossa relação com o lugar em que vivemos. Esses elementos ajudam a compreender tanto a dimensão regional do texto quanto sua conversa com questões mais amplas da literatura brasileira.

Análise crítica

Raquel Naveira se destaca pela maneira como transita entre poesia e prosa, criando uma linguagem muito própria. Em A Fiandeira, ela não apenas narra: comenta, recorda, interpreta e transforma experiências em matéria literária.

Essa mistura de formas é importante para a leitura da obra. Não faz muito sentido tentar encaixá-la em uma única gavetinha literária: há poesia, prosa e um forte veio ensaístico. A imagem da fiandeira organiza justamente essa ideia de construção — textos, memórias e referências vão sendo tecidos ao longo do livro.

A obra também oferece um olhar muito marcado pela experiência sul-mato-grossense, especialmente quando trabalha memória, cultura, paisagem, história e pertencimento. Ao mesmo tempo, esse recorte regional não limita a leitura: ele serve de ponto de partida para reflexões sobre identidade, criação e permanência.

Minha impressão

Ao ler A Fiandeira, fui impactada pela forma como Raquel Naveira consegue tecer histórias e reflexões que, embora enraizadas em uma cultura específica, ressoam com questões universais de identidade e pertencimento. A obra me fez refletir sobre a importância de preservar nossas tradições e histórias, especialmente em um mundo que muitas vezes valoriza o efêmero.

Além disso, essa interseção entre poesia e prosa me lembrou outros autores que também transitam por uma escrita muito marcada pela memória, pela experiência e pelo cotidiano, como Adélia Prado e Manoel de Barros. A leitura de A Fiandeira não é apenas uma experiência literária, mas uma viagem emocional que nos convida a olhar para nossas próprias raízes.

Foco no vestibular

Se você está lendo a obra para a UFMS, eu prestaria atenção principalmente em:

  • a imagem da fiandeira e sua relação com escrita, memória e criação;
  • a mistura entre prosa, poesia e reflexão ensaística;
  • a presença da memória e da identidade;
  • as referências à cultura de Mato Grosso do Sul;
  • a condição feminina, a espiritualidade, a mitologia e a história como eixos recorrentes;
  • a forma como o regional dialoga com questões universais.